Chamado que vem da infância

Ainda que não criado num lar evangélico, foi na mais tenra idade que o hoje pastor, Benedito Leite, se vira vocacionado para o ministério da Palavra

Ele é casado, pai de quatro filhas, tem 62 anos e já é avô de cinco netos. Pastor do Núcleo de Célula da Lagoinha em Brumadinho(MG), Benedito Andrade Leite nasceu em Desterro de Entre Rios, no mesmo estado, numa família de quinze irmãos. Religioso por conta da tradição familiar, vivia na igreja com o pai, ainda que essa não fosse evangélica. Até que aos cinco anos de idade teve sua primeira experiência com Jesus, quando seu pai se encontrava em meditação. Ele (não o pai) teve uma visão e não contou a ninguém. Com os irmãos ajudando o pai na lavoura onde trabalhava, cresceu, estudou, até que aos 24 anos se casou.

Aos 26, começou a trabalhar numa empresa siderúrgica muito conhecida no estado e nela permaneceu por 19 anos. Desencadeava-se, a partir dali, todo um processo até sua conversão e seu chamado para o ministério da Palavra, para mais tarde se tornar pastor na Lagoinha. Nesse relato testemunhal, Benedito detalha todo esse processo, para encerrar em gratidão por estar onde está hoje:

“Foi um choque para mim, pois era de uma família muito tradicional e interiorana. Comecei a sentir um vazio e uma angústia muito grandes. Continuei com a minha religiosidade. Aos 30 anos, eu e minha esposa compramos nossa primeira Bíblia. Começamos a lê-la. Nessa época, uma vizinha evangélica já falava de Jesus para nós, mas não dávamos ouvidos a crentes. Foi quando começamos a estudar essa Bíblia de fato, que Deus começou confrontar nossa religiosidade. Nos demos conta de que estávamos em rebeldia e pecado. Foi aí que orei: ‘Deus, se o Senhor existe mesmo, me mostre o caminho certo’. Continuei lendo a Palavra e buscando a Deus. Já estava com 38 anos. Foi quando, ainda muito resistente, fui visitar uma igreja evangélica, a pedido de minha esposa. Ela já havia ido e voltara maravilhada. Foi num culto de oração, numa quarta-feira. Sentei no último banco, perto da porta. O irmão que conduzia o culto leu o texto bíblico de João 14, versos 1 a 6. Deus falou muito ao meu coração. Naquele dia, decidi, sem falar nada a ninguém, ‘vou seguir a Jesus’. Nesse momento, fui curado de todas as preocupações que tinha. Até então já havia feito de tudo para me livrar disso e nada parecia resolver. Foi tremendo o que aconteceu. Senti que fora liberto de vez. Não me continha de tanta alegria. Quando chegara em casa para ler a Bíblia, tudo era diferente: entendia tudo. Isso se deu em 5 de maio de 1985. Meu relacionamento com minha esposa também mudou. Passei a amá-la ainda mais. Mudou ainda a relação com meus colegas de trabalho e a chefia. Comecei até a falar de Deus para todos.
Assim que me converti, passei a frequentar uma igreja Batista tradicional, na qual fiquei por treze anos, e também me batizei. Nela fui tesoureiro, diácono, professor de adolescentes e vice-moderador, uma espécie de vice-pastor. A chamada para o ministério pastoral de fato se deu quando partimos, eu e minha esposa, para o campo missionário. Já estava com 40 anos. Chegamos também a abrir uma frente de trabalho no bairro Liberdade, em BH, que existe até hoje. O tempo passou e começamos a visitar Lagoinha, em 1998, e depois nos transferimos. Um ano após, fomos consagrados ao diaconato. Chegamos a abrir também uma célula em nossa casa. De anfitrião e líder, passei a supervisor de células. Retornamos a Brumadinho em 2001, agora para implantar o Núcleo de Células da Lagoinha, pois Deus nos havia dito que o trabalho dele ali não havia terminado. Cursei o Seminário Teológico Carisma, da igreja, por dois anos, e no fim do ano passado, me formei. Foi quando a pastora Elcione Galantini me indicou ao pastorado, pois ela já nos conhecia. Ser consagrado na Lagoinha como pastor é um privilégio. Foi também uma grande surpresa. Lagoinha é um presente de Deus para mim. É uma igreja que trata a pessoa em sua totalidade. Minha única missão na vida é anunciar o evangelho do Senhor Jesus Cristo. O balanço que faço de tudo é esse: Deus é maravilhoso. Só tenho a agradecer. Primeiramente a Deus, que não olhou para nossas imperfeições e fraquezas, mas nos salvou e nos deu uma nova vida. À minha esposa, meu braço direito, que sempre me apoia. Às nossas filhas, uma delas inclusive já é missionária. Ao pastor Márcio Valadão, um homem consagrado a Deus, em quem sempre nos espelhamos. E aos pastores Laucir e Elcione Galantini, que têm nos apoiado e dado toda oportunidade para avançar”.

Benedito Andrade Leite
:: Adaptação: Marcelo Ferreira

Fonte:Lagoinha

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